Rede de turismo para todos

Desenvolvimento Responsável, Sustentável e Inclusivo em Destinos Turísticos.


Apresentação:

Este projeto foi elaborado pelo Instituto Interamericano sobre Deficiência e Desenvolvimento Inclusivo – IIDI e seus parceiros, para oferecer respostas à enorme demanda reprimida de turistas, especialmente dos EUA, Europa e Ásia, que buscam os cruzeiros marítimos por sua pretensa vantagem em relação às questões da acessibilidade.

Referimo-nos, principalmente, às pessoas aposentadas e de idade avançada, que possuem tempo, dinheiro e querem viajar, mas se encontram em situação de mobilidade reduzida, geralmente por limitações físicas, visuais e auditivas, entre outras.  Esta população tem aumentado sua expectativa de vida, garantindo um mercado certo, crescente e a longo prazo. O projeto se baseia no respeito à diversidade humana como meio para alcançar o desenvolvimento econômico e social, principalmente das populações locais excluídas e de baixa renda.


Visão:

Aplicar os princípios de sustentabilidade e de inclusão social em destinos turísticos de forma integrada, visando à promoção de transformações infra-estruturais, socioeconômicas e culturais que elevem a qualidade de vida e o bem-estar daqueles que visitam ou residem.


Objetivo:

Criar uma rede de destinos turísticos, estruturada com planos integrados de gestão ambiental, de acessibilidade e de atendimento inclusivo a turistas com distintos níveis de capacidade funcional, entre eles, pessoas idosas e pessoas com deficiência.


Objetivos Específicos:


Justificativa:

Anualmente, os adultos norte-americanos com deficiências/mobilidade reduzida gastam, em média, USD$ 13.6 bilhões em turismo. Em 2002, estas pessoas fizeram 32 milhões de viagens e, desse montante, gastaram: USD $4.2 bilhões em hotéis; USD $3.3 bilhões em passagens aéreas; USD $2.7 bilhões em alimentos e bebidas; e USD $3.4 bilhões no comércio, no transporte e em outras atividades. Os mais populares destinos internacionais para este segmento turístico, por ordem de preferência, são: (1) Canadá; (2) México; (3) Europa; (4) Caribe.

De um total de 21 milhões de pessoas, 69% viajaram ao menos uma vez nos últimos 2 anos, incluindo: 3.9 milhões de viagens de negócio; 20 milhões de viagens de turismo; 4.4 milhões de viagens de negócios/turismo. Nos últimos 2 anos, de um total de 2 milhões de adultos com deficiências/mobilidade reduzida, 7% gastaram mais de USD$ 1.600 fora dos EUA continentais. Além disso, 20% viajaram ao menos 6 vezes a cada 2 anos.

Um estudo da Open Doors Organization estimou, em 2003, que pessoas com deficiências /mobilidade reduzida gastariam US$ 35 bilhões em restaurantes naquele ano. O mesmo estudo revelou que mais de 75% dessas pessoas freqüentam restaurantes pelo menos uma vez por semana. O Ministério de trabalho dos EUA informou que o grande e crescente mercado de norte-americanos com deficiências /mobilidade reduzida possui US$ 175 bilhões em poder de compra/consumo.

No Reino Unido, o Employers Forum on Disability estimou que houvesse 10 milhões de adultos com deficiências/mobilidade reduzida no Reino Unido, com um poder de compra anual de 80 bilhões de Libras Britânicas. No Canadá, a Conference Board do Canadá relatou que, em 2001, a renda descartável anual combinada de canadenses com deficiências/mobilidade reduzida, em idade economicamente ativa, era de CAN$25 bilhões.

Estes números tendem a multiplicarem-se pela demanda atualmente reprimida, se os destinos – ao contrário do que acontece hoje – passarem a oferecer acesso e ambientes inclusivos para todos. Vemos esse fato como uma grande oportunidade de fomentar o turismo internacional e nacional nos países da América do Sul, enquanto geramos possibilidades para a educação cidadã, a redução da pobreza e o desenvolvimento socioeconômico local. 

No caso do Uruguai e da Argentina, temos acompanhado o desenvolvimento de iniciativas pontuais para a promoção do Turismo para Todos, principalmente levando em conta o grande potencial de desenvolvimento do turismo social no Cone Sul. Iniciativas nessa linha já seriam de grande utilidade e estímulo a milhares de novos viajantes.

Só no porto do Rio de Janeiro são cerca de 30 mil pessoas por ano que deixaram de descer pela falta de acesso. Se investirmos na acessibilidade dos portos, mercados, espaços culturais e infra-estrutura de transporte, hoteleira e restaurante, certamente atrairemos o setor de cruzeiros, que hoje não oferece nenhuma opção para os turistas com mobilidade reduzida. Estes poderão então passar a desembarcar nas cidades destinos de seus cruzeiros e deixar divisas no país.


Escopo do projeto:

A estratégia central do projeto é tirar proveito de um grande e inexplorado mercado já existente na área de turismo e gerar comunidades mais responsáveis social e ecologicamente, mais equilibradas economicamente e mais inclusivas para todos – dentro de um critério de desenvolvimento sustentável.

A proposta consiste na identificação de áreas de forte apelo turístico, em portos-chave a serem selecionados no litoral do Cone Sul, entre aqueles que atendem a cruzeiros marítmos nacionais e internacionais. A idéia então é levantar os recursos e oportunidades existentes tomando em conta a vocação natural do local e buscar apoio para a instalação de uma abordagem inclusiva a tudo o que já está sendo feito ali. O escopo de atuação engloba políticas, serviços e obras públicas e ações da iniciativa privada e do Terceiro Setor/Cooperação.

Prevê-se também a criação de módulos experimentais diferenciados, de acordo com as características próprias de cada localidade, que possam  funcionar como “laboratório” para o aprimoramento de abordagens e capacidades que possam ser multiplicadas por toda a Região.


Eixos centrais de trabalho:

O projeto visa à criação de uma rede de destinos turísticos piloto, onde se estabeleçam planos de gestão que envolvam a toda a comunidade, principalmente dirigidos a atacar alguns problemas pontuais:

  1. Acesso à infra-estrutura, aplicando as normas básicas de acessibilidade e desenho universal aos ambientes e espaços construídos, incluindo portos, mercados públicos, estabelecimentos turísticos, meios de transporte, diferentes atrativos histórico-culturais e naturais, etc.; a comunicação e informação; e aos serviços oferecidos pelo setor de turismo.
  2. Turismo para Todos, capacitando recursos humanos e adequando equipamentos e tecnologia, na busca de soluções que viabilizem o acesso e a plena participação de turistas com diferentes níveis de capacidade funcional incluindo idosos e pessoas cm deficiência.
  3. Gestão Ambiental, principalmente atacando o problema dos resíduos, mediante programas de sensibilização e educação ambiental para moradores, empresários, gestores públicos e turistas; e manipulação e destinação final dos resíduos, capacitando as atuais comunidades de catadores e capacitando novas pessoas que possam ser integradas a uma cadeia de valor associada ao uso dos resíduos como matéria prima para a fabricação e comercialização de produtos voltados ao mercado turístico.
  4. Transformação atitudinal e cultural, baseada nos princípios de sociedade inclusiva, através de programas educacionais e da capacitação de jovens como agentes de combate à violência, de promoção da saúde e de inclusão social.

Como cada localidade possui sua vocação e interesses próprios, qualquer área ou projeto que esteja em sintonia com a abordagem de desenvolvimento inclusivo e sustentável que se afinar com a proposta, poderá integrar-se a qualquer tempo. Atividades como Comércio solidário e responsável (Fair Trade), micro crédito, atenção à diversidade, são esperadas e bem-vindas.

Sendo um dos eixos principais do projeto, combate à pobreza e à desigualdade,  e em sintonia com os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, a proposta prevê a implementação de programas sociais e de desenvolvimento socioeconômico com a população local menos favorecida, através de parcerias com ONGs, com agências das Nações Unidas (como OMT, PNUD, UNICEF, UNESCO, OIT, FAO), com redes de empreendedorismo social, como Ashoka e Avina, e com a cooperação internacional em geral.


Destinos a serem selecionados:

A rede de Destinos de Turismo Para Todos será composta de destinos chave em diferentes paises, buscando desta forma, identificar critérios, diretrizes e standards de qualidade comuns, e que sirvam para atender uma futura aplicação global, independentemente das particularidades que possam ser achadas nas diferentes culturas locais.

Se utilizará como eixo do projeto, a transformação de destinos internacionais que sejam parte da rota Sul Americana de cruzeiros. Esta estratégia garante não somente gerar demanda automática, com a conseqüente possibilidade de medições para correções e para levantamento de estatísticas de mercado, quanto ao monitoramento e a avaliação dos resultados do projeto, tendo em conta que as pessoas com deficiência e idosos são um dos principais segmentos atendidos pelos cruzeiros.


Financiamento e Sustentabilidade:

Como a iniciativa se propõe a trabalhar com estruturas e programas existentes, evita duplicar ou criar subprojetos especiais e pontuais, ou mesmo gerar custos desnecessários, a idéia é que cada parceiro que se incorpore à Rede, se comprometa com uma abordagem inclusiva a ser adotada dentro de seu espaço de atuação, utilizando seus recursos próprios ou buscando financiamento para atender as eventuais necessidades de sua área especifica, se houver alguma.  Por exemplo:

Em termos de custo para a viabilização do projeto como um todo, ao contrário do que possa sugerir seu “macro-alcance”, fica pendente somente a questão de assistência técnica disponível para responder às necessidades de cada setor. Hoje o Brasil e a Região possuem estes recursos e suficiente capacidade instalada para atender à demanda em praticamente todas as áreas. Os custos podem ser absorvidos pelos mesmos projetos e ações que solicitem o apoio.

O que representa os maiores desafios a essa proposta é, de fato, a manutenção – a longo prazo - do compromisso com a abordagem de desenvolvimento inclusivo. Para que o projeto seja sustentável, é fundamental investir no cambio de cultura e no seu apoderamento (ownership) pela comunidade local. E para isso, é necessário que se mantenha um permanente processo de apoio, monitoramento e avaliação; e que cada setor passe a absorver as responsabilidades e os custos inerentes a esse investimento.


Os Consórcios:

Para a formação de consórcios multisetoriais e interdisciplinares que deverão gerir o projeto em cada localidade onde este será implantado, é fundamental a parceria com os governos nacionais, estadual e municipal e com o setor privado, como as cooperativas de táxi, as redes de restaurantes e hotéis, os mercados, o cais do porto e as principais operadoras de cruzeiros marítimos da região, entre outros. Estes serão os primeiros beneficiários da iniciativa, pois ganharão acesso a um mercado em ascensão, antes não aproveitado por falta de oferta de serviços adequados a ele. Este mercado já existe e cresce, hoje dormente ou reprimido, esperando oportunidade para expandir-se exponencialmente.

Agencias bi e multilaterais, ONGs e representantes da sociedade civil, organismos de defesa de direitos e redes de apoio ao desenvolvimento também deverão estar incorporados, como atores/apoiadores diretos ou indiretos nestes consórcios.

Além dos consórcios locais, para supervisionar as ações da Rede de Turismo Para Todos, deverá ser considerada também a criação de Consórcios Nacionais, por país envolvido no projeto, e um Comitê Regional/Internacional que tenha função consultiva, além de reguladora e fiscalizadora.


Alcance e Impacto:

As atividades permitirão traçar uma linha de base, monitorar, avaliar e medir permanentemente o impacto e os resultados concretos, tanto na evolução do mercado, quanto no desenvolvimento socioeconômico e ambiental local, através dos programas realizados com o setor de turismo e com as comunidades envolvidas. Atividades de certificação, desenvolvimento e/ou implementação de normas técnicas, o cumprimento de legislação local e a criação de centros de referência em desenvolvimento inclusivo, serão parte permanente e servirão de apoio às ações do projeto.

Toda a iniciativa servirá como laboratório e apoio para a implementação, nos países envolvidos, da Convenção Internacional Ampla e Integral para Promover e Proteger os Direitos e a Dignidade das Pessoas com Deficiência, firmada pela Assembléia Geral das Nações Unidas, em 13 de dezembro de 2006. A região também celebra o começo da Década das Américas para os Direitos e a Dignidade das Pessoas com Deficiência (OEA 2006-2016).

Esta iniciativa, em sua abordagem inovadora, vem gerando muito interesse em distintos setores e níveis e pretente extender suas alianças e parcerias a entidades como:

Durante o último Fórum Mundial de Turismo - DestiNations 2006 em Porto Alegre, RS (29Nov- 02Dez 06) algumas destas alianças foram estabelecidas e outras estão em construção.


Plano de ação: Eixo da Rede de Destinos de Turismo Para todos.

O primeiro passo será articular a seleção das primeiras localidades a receberem o projeto, fazer um levantamento da situação de acesso do porto e demais áreas turísticas, tipos de serviços disponíveis e propor medidas, a curto, médio e longo prazos e de baixo, médio e alto custos, a serem consideradas pelas autoridades locais. Ao mesmo tempo em que se inicia o processo de acessibilizar a infra-estrutura e os serviços, se identificam e articulam os parceiros para conformar os consórcios locais, nacionais e o Comitê Regional.

Com isso, podemos começar a armar a Rede e lançar concretamente a idéia, gerando mobilização através do contato direto e do trabalho em rede, que viabilize a articulação de parcerias entre todos os setores acima mencionados.  Durante a fase de negociação para a criação desta estrutura, deverão realizar-se levantamentos da situação atual nos destinos participantes e desenvolverem-se planos de ação em diferentes níveis de complexidade, tempo de execução e custo.

A partir de conversações exploratórias já iniciadas, deverão incorporar-se à Rede nessa etapa de criação, as cidades abaixo, que estão na rota dos principais cruzeiros maritmos: Brasil (Salvador, Búzios, Rio de Janeiro, Angra dos Reis, Santos e Florianópolis); Uruguai (Montevideo e Punta del Este); Argentina (Buenos Aires; Puerto Madryn e Ushuaia). Para esta etapa inicial, preve-se um prazo de 18 a 24 meses.


Para mais informação, favor entrar em contato com:
Rosangela Berman Bieler: RBBieler@aol.com ou Alexandre Baroni: alexandrebaroni@hotmail.com.
http://groups.yahoo.com/group/TurismoInclusivoSitio externo..

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