Uma escola em que a participação, a inclusão e a promoção da saúde são pilares fundamentais.
Ficha Técnica
Autores:
SERGIO Meresman.
KÁTIA Maria Braga Edmundo.
DANIELLA do Amaral Mello Bonatto.
GEISA Ferreira do Nascimento.
Equipe técnica do projeto e Organização das atividades:
ANTONIO Garcia ALEJANDRO Peombo.
MARCELA Cal Prunell.
LUCY Felix Garrana.
SOLANGE Dacach.
Elaboração do jogo Caleidoscópio Adolescente:
MARCELA Cal Prunell.
ANTONIO Garcia ALEJANDRO Peombo.
Desenho Gráfico:
DOTZdesign Ilustrações.
MATIAS Berbejillo.
ZIRALDO.
Colaboradores na concepção:
DANIEL Becker.
ROSANGELA Berman Bieler.
Revisora:
DANIELLE Bittencourt
Este material foi desenvolvido pela equipe técnica de Escola de Todos com fundos do Development Grant Facility providos por The Partnership for Child Development (Inglaterra). Queremos agradecer as pessoas que contribuíram para a construção da Iniciativa Escola de Todos: os Conselhos Consultivo no Brasil e o Uruguai, os professores e professoras das Escolas participantes e parceiros das organizações governamentais e não governamentais envolvidas. Agradecemos especialmente ao cartunista Ziraldo e ao Banco Mundial, na pessoa do Economista Senior Ricardo Silveira pela ilustrações gentilmente cedidas da cartilha "Educação Inclusiva".
A proposta "Escola de Todos" é o resultado de um trabalho compartilhado entre CEDAPS, Instituto Inter-Americano sobre Deficiência & Desenvolvimento Inclusivo, Iniciativa Latinoamericana e um conjunto de especialistas nas áreas de educação, saúde, inclusão e participação de crianças, adolescentes e jovens. Foi iniciado em 2006 no intuito de envolver diversos atores e oferecer ferramentas para melhorar a qualidade educativa através de ações de participação, inclusão e promoção da saúde.
Nossos interlocutores são os integrantes da equipe educativa (professores e equipe pedagógica), as instituições de ensino e as comunidades interessadas em gerar e sustentar espaços de participação e inclusão para todos.
Os determinantes sociais (pobreza, violência estrutural, diminuição da capacidade de suporte familiar) sobre a educação, a saúde e a inclusão são tão presentes que, para mudar essa realidade, é imprescindível abrirmos um processo intenso de participação na escola e na comunidade. Na Escola de Todos, a participação dos alunos é um "caminho" para viabilizar mudanças no cotidiano escolar. A transformação de nossas realidades, deve ser enfocada pela escola na produção de conhecimentos e no apoio ao trabalho conjunto: melhorar a prática dos professores, fortalecer o Projeto Político Pedagógico - PPP, melhorar o vínculo entre escola, família e comunidade e criar novas oportunidades para que os alunos se expressem e aprendam.
A própria elaboração da Guia Escola de Todos foi feita de forma participativa e envolveu atividades como:
Começamos nossas oficinas reunindo perguntas. Em que pensamos quando falamos de "Escola de Todos"? Como se constrói uma Escola de Todos? A partir dali, agrupamos em pequenos conjuntos as questões que foram surgindo de nossos parceiros e que seriam utilizadas como eixos organizadores de nosso trabalho:
Para trabalhar com estas perguntas, reunimos a visão de especialistas e acadêmicos com o olhar crítico e a experiência prática que dão suporte aos profissionais da educação. Consultamos também professores, adolescentes, famílias e membros da comunidade, estendendo assim as imprescindíveis pontes entre as idéias, os ideais e a prática concreta.
Todas as escolas têm uma cultura, uma história e uma equipe de trabalho que inevitavelmente incidem em sua resistência ou disponibilidade a mudanças. Também há o difícil contexto socioeconômico que afeta muito os grupos e implica que as escolas cada vez mais estejam comprometidas quanto à sua função integradora e de construção do tecido social. Refletindo a existência de sociedades cada vez mais plurais, a diversidade tambem emergiu como um elemento que caracteriza o espaço escolar e determina poderosamente o processo de ensino-aprendizagem.
Estas diferenças podem ser socioeconômicas, de gênero, de orientação sexual, de raça/etnia, de faixa etária, de limitações e cultural. Na Nigéria, os albinos já foram motivo de perseguição. Hoje, ao nascerem, são motivos de regozijo para a sua família e símbolo de fartura.
Este exemplo mostra que a sociedade, ou as pessoas que têm dificuldade de aceitar as diferenças ou as discrimina podem também mudar de atitude. Algumas diferenças saltam aos olhos, outras só percebemos quando conhecemos a pessoa e a cultura em que vive.
A exclusão de algumas crianças, seja por apresentarem capacidades distintas ou diferenças originadas nos contextos socioculturais de que procedem, apresenta às instituições educativas o desafio de dar uma resposta apropriada a tal diversidade.
Na medida em que as mudanças nas políticas públicas, os processos de descentralização e as ferramentas de gestão institucional conseguem ir adequando-se umas às outras, as escolas emergem como lugar de encontro entre as famílias, suas necessidades, as redes de serviços e proteção social e as propostas para o desenvolvimento integral das crianças.
A pergunta que devemos nos fazer é como esta integralidade pode ser planejada e construída, ou se ela se imporá devido à própria "acumulação" de necessidades, programas, demanda e assistencialismo. Quando não há convergência, mas acumulação, a atenção às variáveis que determinam o processo de ensino-aprendizagem implica maior complexidade ao "que fazer" da escola e dos docentes. Uma educação de qualidade para todos pode ter o caráter de utopia (no sentido de aquilo para onde acordamos que devemos nos dirigir) e escapar do freqüente dilema entre "o desejável" e "o possível" que costuma paralisar as tentativas de transformação.
A nossa sensibilidade, a nossa própria vida e perspectivas indicam que, ao se falar em espaço de todos, escola de todos, vida de todos, remete-se a uma composição de infinitas diferenças, mas o que nos iguala é a nossa humanidade.
A pergunta "para que serve uma escola de todos?" tem diferentes respostas. Do ponto de vista filosófico, "para poder dar resposta ao conjunto das suas missões, a educação deve organizar-se em torno de quatro aprendizagens fundamentais ao longo de toda a vida: aprender a conhecer (isto é, adquirir os instrumentos da compreensão); aprender a fazer (para poder agir sobre o meio envolvente); aprender a viver juntos (a fim de participar e cooperar com os outros em todas as atividades humanas); e aprender a ser (via essencial que integra as três precedentes)(Delors, 2006).
Do ponto de vista da qualidade educativa, a Escola de Todos implica um projeto de trabalho e desenvolvimento cuja meta é conseguir uma educação melhor para todos. Para que isto se torne realidade será necessário melhorar a escola como instituição e melhorar o processo de ensino-aprendizagem.
O primeiro passo implica em ações de fortalecimento da identidade institucional, grupal e comunitária (conhecer e pensar nossa realidade) e gerar um projeto pedagógico forte (estabelecer nossa visão, traduzir as diretrizes e objetivos em conceitos operativos e construir um plano de ação e propostas práticas).
Para melhorar a qualidade do processo de ensino-aprendizagem, são necessárias estratégias que otimizem a prática docente e enriqueçam os espaços e ferramentas através dos quais as crianças constrõem suas aprendizagens. Necessita-se com freqüência adequar e atualizar os conteúdos curriculares e as atividades de ensino, promover a busca de temas e propostas que se orientem para aprendizagens socialmente significativas e dar apoio aos professores, estimulando-os permanentemente para que suas metodologias procurem o melhor desempenho possível de cada criança no plano cognitivo, afetivo, produtivo e social.
Muitas vezes, a mesma preparação de um Projeto Político Pedagógico constitui uma oportunidade real e efetiva de participação e compromisso para toda a comunidade educativa, dado que são os professores, em consulta com as crianças e suas famílias, que realizam uma análise da situação geral da escola analisando suas fortalezas e dificuldades e desentranhando os elementos menos visíveis que condicionam a vida e o trabalho de todos na escola. A partir dali poderão imaginar e construir seu próprio caminho para a implementação das mudanças que desejam, encarregando-se do possível e visualizando as dificuldades e os recursos em jogo.
O Desenvolvimento Inclusivo é uma busca por harmonizar os modelos de desenvolvimento existentes e avançar numa alternativa de erradicar ou reduzir significativamente a pobreza e promover a convivência em condições de vida digna para todos. Implica valorizar a contribuição de cada ser humano ao processo de desenvolvimento e busca gerar as condições necessárias para isso: nas escolas, na comunidade, no mundo científico e do trabalho.
Desenvolvimento inclusivo quer dizer não discriminar, promover a diferença, apreciar a diversidade e transformá-la em uma vantagem, uma oportunidade, um direito, guiando-se por princípios de eqüidade e justiça. Também quer dizer combater a pobreza dando visibilidade a esses grupos para posicionar suas necessidades nos programas e políticas públicas gerais. Busca assim o acesso de todos à ação pública, à equiparação de oportunidades e à eqüidade.
As pessoas com deficiência e suas organizações são – entre os grupos frequentemente excluídos - aqueles que mais têm se destacado por suas contribuições aos processos de desenvolvimento: nas políticas educativas (com avanços notáveis na educação especial), de saúde (com enfoques de reabilitação baseada na comunidade), de transporte e infra-estrutura (gerando a implantação do "desenho universal"). Estes desenvolvimentos inovadores têm sido aplicáveis para remediar a própria condição de exclusão, mas têm demonstrado também que esta não mudará se não mudar a qualidade de vida e a cultura social de toda a população.
Pensamos na Escola de Todos como um edifício que precisa ser construído. Como em toda construção, são necessárias plantas (desenho, planejamento), estruturas (uma base firme), uma série de pilares e pontos de apoio, mão de obra e trabalho!
A base da Escola de Todos é a prática docente e o Projeto Político Pedagógico (PPP). O PPP e a prática docente são os principais determinantes da qualidade educativa e da construção de espaços inclusivos e amigáveis para as crianças e adolescentes. Na Escola de Todos, busca-se aprimorar permanentemente as condições em que os professores ensinam e a articulação de ações dentro do PPP para favorecer processos de afirmação das melhores práticas em função dos objetivos planejados.
Inclusão não significa que todos sejam iguais. Um ingrediente chave é a flexibilidade: reconhecer que crianças e adolescentes aprendem e participam com ritmos e interesses diferentes.
A "escola de todos" implica não somente facilitar a inclusão educativa e social daqueles que são mais lentos em aprender, que têm dificuldades ou limitação de qualquer tipo. Trata-se de considerar a TODOS os que correm risco de ser excluídos, seja por suas características pessoais ou porque migraram ou falam outra língua, são menos "bem-sucedidos" na escola, ou pertencem a minorias de qualquer tipo em toda sua diversidade.
A Escola de Todos é uma Escola Promotora de Saúde onde se procura proteger e promover ambientes saudáveis. Potencializa habilidades (sociais, emocionais e cognitivas) para o bem estar, para o diálogo e para a problematização com objetivo de transformar os obstáculos encontrados.
Há um valor educativo na participação, tanto como há um valor cidadão na educação. A participação dos adolescentes é um dos "caminhos" mais importantes para viabilizar mudanças. Mas principalmente, é uma tentativa de demonstrar-lhes que eles podem, se participarem, transformar sua realidade pessoal, educativa e vital.
Na Escola de Todos a participação está proposta como uma ferramenta de desenvolvimento pessoal, enquanto permite reconhecer e apreender a possibilidade que temos de incidir em nossa vida, no destino próprio e de nossos vizinhos, amigos e famílias. Trata-se do exercício de um papel social para o qual é necessário adquirir competências muito específicas e úteis.
Para implementar ações para uma Escola de Todos sugerimos a construção participativa de um plano local de ação tendo como referência um Grupo Dinamizador. A função desse grupo é articular o plano de ação na escola e comunidade, coordenar, estimular e acompanhar todo o processo.
O eixo central desse processo é:
Propomos uma seqüência metodológica que envolve os seguintes momentos complementares:
O jogo Caleidoscópio Escola de Todos é uma proposta para facilitar o diálogo e a reflexão de crianças, jovens e adultos sobre diversidade, inclusão, saúde, direitos da criança e do adolescente, participação e ser adolescente. Ele convida a repensar sobre relacionamentos, cuidado com a saúde e o sentir-se parte ou excluído de um grupo.
Dentro do âmbito escolar possibilita o compartilhar entre professores, alunos e responsáveis, contribuindo para identificar o conhecimento que cada um traz sobre os temas abordados e estimular o interesse dos adolescentes para a construção de suas próprias respostas e do respeito à opinião do outro.
Através do jogo se discute possibilidades para que a escola seja mais acessível a todos, modificando barreiras que impedem que alguns participem efetivamente. Sua característica interessante é a de resolver situações apresentadas em cada carta do jogo através da discussão com o grupo. De maneira leve e divertida envolve a todos, valorizando a troca de idéias e não focalizando a disputa. Constrói assim um "caminho colorido" a partir da discussão e aprendizagem coletiva.
Imaginamos a iniciativa Escola de Todos como um movimento que integra crianças, adolescentes e adultos através de princípios muito claros sobre a sociedade que queremos construir. Escolas, organizações não governamentais e governamentais estão convocados a somar com seu compromisso e sua participação a favor de uma educação melhor para todos e todas.
Entre Junho e Dezembro de 2008, estaremos trabalhando junto a organizações nacionais e internacionais na elaboração do Manifesto Escola de Todos, procurando incluir os eixos de trabalho e compromisso que orientarão a tarefa de todas as pessoas e instituições participantes. Convidamos você para somar-se a esta iniciativa, assinando o manifesto Escola de Todos e visitando www.escoladetodos.org
onde encontrará detalhadamente recursos e proposta para colocarmos nossas mãos à obra!
CEDAPS.
O Centro de Promoção da Saúde – CEDAPS - é uma organização não-governamental, sem fins lucrativos, criada em 1993, que atua no Rio de Janeiro. Toda a ação do CEDAPS é baseada em processos de cooperação técnica, proporcionados pela metodologia Construção Compartilhada de Soluções em Saúde, cujo processo permite ainda a organização e a interação de diferentes ações sociais em rede, fomentando e potencializando essencialmente a mobilização política dos movimentos organizados.
Instituto Interamericano sobre Deficiência & Desenvolvimento Inclusivo.
O Instituto Interamericano sobre Deficiência & Desenvolvimento Inclusivo foi fundado em Washington em 1999 para promover a inclusão e a autonomia das pessoas com limitações funcionais e suas famílias na Região Interamericana. Por sua abordagem inovadora, o IIDI projetou-se internacionalmente como uma entidade técnica, promotora de cidadania e de inclusão social, atuando através de dois eixos estratégicos principais: direitos humanos e desenvolvimento inclusivo.
Iniciativa Latinoamericana.
A Iniciativa Latinoamericana é um espaço aberto de encontro para empreendimentos de inovação social e participação cidadã. Sua missão é contribuir criativamente para o desenvolvimento social eqüitativo e sustentável, através da geração de conhecimentos e práticas inovadoras, solidárias e de excelência, centradas na dignidade e nos direitos da pessoa.
Partnership for Child Development.
A Parcería para o Desenvolvimento das Crianças (PCD) foi criada em 1992 pra contribuir a amelhorar a educaçao, saúde e nutriçao das crianças em edad escolar nos paises em vias de desenvolvimento. O PCD se encuntra baseado em Londres (no London’s Imperial College) and colabora na traduçao de pesquisas a políticas publicas que beneficiam millhoes de crianças.
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